quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Primeira mesa redonda do Ciso aborda os 60 anos da Fundaj

Por André Amorim

Os 60 anos da Fundação Joaquim Nabuco foi o tema do primeiro debate do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso). Intitulada de “A Fundação Joaquim Nabuco e o campo das ciências sociais no Brasil: linhagens, trajetórias e perspectivas”, a mesa redonda contou com a coordenação da pesquisadora da Fundaj Rita de Cássia Barbosa de Araújo, e com a colaboração da também pesquisadora da Fundaj Alexandrina Sobreira; do professor do departamento de Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco Antônio Carlos Mota; e do professor da UFPE e primeiro estagiário da Fundaj Heraldo Souto Maior.

Alexandrina, primeira a falar, lembrou que completou 28 anos de trabalhos dedicados à Fundação nesta semana e falou sobre a importância das atividades realizadas pela Fundaj desde que foi criada por Gilberto Freyre. Além disso, Alexandrina destacou o pioneirismo, a interdisciplinaridade nos estudos realizados e as parcerias com a Superintendência Nacional de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e outros países. “Fomos os pioneiros na área de Ciências Políticas, quando criamos, em 1981, um departamento exclusivo para o assunto, o primeiro das regiões Norte e Nordeste”, disse.

A pesquisadora falou ainda da recente contratação de 30 novos pesquisadores, através de concurso público, e de que forma isso contribui com as novas pesquisas. “Essas contratações mostram o potencial que a Fundação tem para continuar a crescer e é bastante positiva porque junto com os novos pesquisadores chegam novos temas que fazem parte da atual agenda como a questão do meio ambiente e as questões de gênero”, explicou.

O pioneirismo da Fundaj também norteou as colocações do professor do departamento de Antropologia da UFPE Antônio Carlos Mota. Ele destacou as contribuições no campo das pesquisas do extinto departamento de Antropologia da Fundaj, que foi criado antes mesmo dos cursos de Antropologia nas universidades. Segundo ele, os seus principais eixos de pesquisa se constituiram do estudo das religiões afro-brasileiras e da cultura indígena.

O primeiro pesquisador bolsista do então Instituto Joaquim Nabuco, Heraldo Souto Maior, falou sobre as previsões pessimistas e comentários que surgiram na época da criação da Fundaj e destacou a importância de ter sido estagiário da Fundação. Além disso, falou também sobre as dificuldades que enfrentou no início do trabalho.

O Ciso é realizado há 20 anos e se consolidou como espaço de troca e intercâmbio interinstitucionais. O evento é realizado pela Fundaj em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade Católica de Pernambuco e Faculdade Marista do Recife.

Esquerda latino-americana é tema de mesa redonda do 14º Ciso

“Pensamento de esquerda na América Latina: atualidade e perspectivas”. Esse foi o tema abordado pela 2ª mesa redonda do 14º Ciso, na manhã desta segunda-feira (9), no auditório do Centro de Ensino de Graduação (Cegoe) da Universidade Federal Rural de Pernambuco. O trabalho da mesa foi coordenado pelo professor da Rural, Délio Mendes, e contou com a colaboração do professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Josiais de Paula Jr., e do professor da Universidade Federal de Pernambuco, Michael Zaidan Filho. Entre os temas abordados pelos debatedores estiveram as tipologias de esquerda na América Latina, mais especificamente no Brasil, e os programas de esquerda na América Latina e a importância simbólica do processo iniciado por Hugo Chaves na Venezuela, a chamada Revolução Bolivariana.

“Trabalho doméstico, reprodução das desigualdades e globalização” é tema de Fórum no 14º CISO

Por Victor Bastos

O tema “Trabalho doméstico, reprodução das desigualdades e globalização” foi debatido na manhã desta quarta-feira (09), na Sala de Seminários do Centro de Ensino de Graduação (CEGOE) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), das 11h às 12h30. O fórum foi coordenado pela professora da UFRPE Laura Susana Duque-Arrazola, pela professora da Universidade Federal Fluminense Hildete Pereira de Melo e pela representante do SOS Corpo, Maria Betânia de Melo Ávila.

Para a professora Laura Susana, é necessário que se situe em um contexto histórico para entender o trabalho e o emprego doméstico. “Tudo isso vem da colonização. Vivemos, hoje, em uma sociedade capitalista e patriarcal, onde existe uma distinção de classes e é racista”, explicou. Segundo ela, por isso o trabalho doméstico virou um campo de pesquisa.

Segundo Betânia Ávila, existe uma relação entre trabalho e emprego doméstico e que isso se reflete no salário. “Por uma questão cultural, o salário das empregadas domésticas é o pior salário pago às mulheres brasileiras”, explicou a professora Hildete de Melo.

Hildete de Melo abordou a relação entre produção e reprodução do trabalho doméstico. Para a professora da UFF, existe uma recriminação em vários campos da sociedade com esse serviço. “A legislação não abrange o trabalho doméstico e em pesquisas não é contado como dado para o Produto Interno Bruto, pois é tratado como a relação da esposa com o marido, por não ser remunerado. Até as prostitutas entram no PIB, pois é um trabalho pago”, disse.

A representante do SOS Corpo abordou o tema da globalização como uma reestruturação produtiva e citou as migrações de países e classes. Segundo ela, há casos de mulheres que saíram de seu país de origem para trabalhar como empregadas domésticas, como ocorreu com mulheres das Filipinas que foram morar na França. No Brasil, há um deslocamento do interior para os grandes centros para se garantir o emprego. De acordo com Maria Betânia, esta situação faz com que as relações com a família no interior se restrinjam a visitas esporádicas.

Fazer com que o trabalho doméstico deixe de ser apenas “uma doação, uma entrega” foi o principal ponto debatido. Segundo as coordenadoras do fórum, isso tem que ser uma conquista feminina, como resultado de uma resistência. “Temos que considerar como um trabalho de verdade, mas isso não acontece, pois vivemos em uma sociedade marcada pela troca de mercadorias”, afirmou a professora Laura Susana.

Na manhã desta quarta-feira ocorreu paralelamente, no auditório de Engenharia de Pesca, o fórum “A situação dos defensores de direitos humanos no Brasil no contexto da luta contra a violência”. O tema foi discutido pelos professores da Universidade Católica de Pernambuco, Jaime Benvenuto, da PUC do Rio de Janeiro, Daniel Aragão, e pelos representantes da CONARE, Renato Zerbini Ribeiro Leão, e do Movimento Nacional de Direitos Humanos de Pernambuco, Manoel Moraes.

Mulher, corpo, igrejas, Estado: Quem manda?

Por Victor Bastos

A 14ª edição do Ciso promoveu na manhã desta quarta-feira (09), na Sala de Seminários do CEGOE, das 9h às 10h30, a mesa redonda Mulher, corpo, igrejas, estado: Quem manda? A mesa foi comandada pelo coordenador do encontro, o pesquisador da Fundaj Joanildo Burity, a professora da Umesp Sandra Duarte de Souza, a professora da Unicap Janice Albuquerque, a representante do SOS Corpo Verônica Ferreira e a representante da Secretaria da Mulher, Amanda Scott.

A professora da Umesp, Sandra Duarte, enfatizou a dissonância entre os discursos oficiais religiosos e as práticas das pessoas religiosas. “Existe uma autonomia relativa do sujeito religioso, apesar das intervenções religiosas”, disse. Sandra ressaltou a legitimidade do Estado. Segundo ela, as decisões estatais passam pelo crivo da religião. “No Rio de Janeiro há o Sindicato dos Advogados Católicos, assim como já vi um de espíritas, onde estudam o caso de acordo com a religião. Com isso, podemos perceber que existe essa interferência”, explicou.

A representante da Secretaria da Mulher, Amanda Scott, levantou questões estatísticas na sua apresentação. De acordo com ela, a participação do Estado vem se tornando cada vez mais importante na mudança da mulher na sociedade. “Historicamente o homem é quem manda e a educação religiosa reprime, pois a mulher não tem direito ao corpo. A igreja manda na mulher e no corpo. O estado laico é que vem mudando isso, principalmente após os movimentos feministas”, afirmou.

Democracia: novos e velhos desafios em debate na manhã do 14º Ciso

Por Victor Bastos

A mesa redonda Democracia: velhos e novos desafios ocorreu na manhã desta quarta-feira (09), das 9h às 10h30, no auditório de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O trabalho da mesa foi realizado pelos professores Luis Felipe Miguel (UnB), Assis Brandão (UFPE), Gabriel Eduardo Vitullo (UFRN) e Flávia Birolli (UnB).

O professor da Universidade Federal de Pernambuco, Assis Brandão, falou sobre os vários tipos de procedimentos democráticos. Teorias de filósofos políticos como Norberto Bobbio e John Stuart Mill foram discutidas. “A teoria de Bobbio e Mill é uma teoria desenvolvimentista, é uma concepção ética da democracia”, afirmou.

Assis Brandão fez comparações entre a democracia desenvolvimentista e procedimentalista. Segundo ele, o procedimentalismo é uma concepção elitista. “Nessa teoria, o meio é desprovido de fins”, citou. O professor finalizou sua participação na mesa redonda com uma frase que decorre da influência dos procedimentos democráticos. “Nós queríamos mudar o mundo, mas o mundo que nos mudou”, explicou o professor.

Conferência sobre desigualdade e injustiça social abre 14º Ciso na Fundaj

Por Rebeca Kramer e Tércio Amaral

“O mapa desse Brasil, em vez das cores dos Estados, terá as cores das produções e dos trabalhos”. Lembrando da frase de Gilberto Freyre, do poema ‘Um outro Brasil vem aí’, o presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Fernando Lyra, abriu na noite desta terça-feira (8) a cerimônia do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso). A abertura do evento aconteceu no auditório Benício Dias, na sede Fundaj, em Casa Forte, e contou com a conferência de abertura que abordou o tema do encontro, “Desigualdade e justiça social: regiões, classes e identidades no mundo globalizado”. O palestrante foi o economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A conferência foi antecedida pela mesa-redonda da abertura oficial do evento. Os integrantes foram o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Fernando Lyra; o reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Walmar Correia de Andrade; o diretor em exercício da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundaj, Wilson Fusco; a coordenadora do curso de Serviço Social da Universidade Católica de Pernambuco, Maria Vitória Machado; o coordenador-geral do evento, Joanildo Burity, e o representante da Faculdade Marista, professor Rômulo Pinto. De acordo com Burity, o evento, que acontece a cada dois anos desde 1990, parece não abordar um tema novo, que é a desigualdade. Mas, quanto mais for discutido e quanto maior a persistência no debate, maior possibilidade haverá de um maior ritmo de enfrentamento. “Desigualdade não pode ser ligada somente a chaves econômicas. Existem injustiças culturais, ambientais, de gênero, desigualdades de raça e conflitos étnico-religiosos, ora potencializados pela sociedade, ora minimizados pelas políticas de lei”, comentou.

Segundo a professora Vitória, a importância do evento consiste no fato da discussão não do que é a desigualdade, mas quais facetas ela pode assumir na sociedade. “Queremos justiça social, pois a desigualdade, surgida pela relação capital e trabalho, combate-se com direitos”, afirmou. Na conferência, o presidente do Ipea Marcio Pochmann destrinchou em três fases os momentos de desigualdades pelas quais as sociedades do século 19 e 20 já passaram, até as condições atuais da civilização. Pochmann defendeu dois elementos importantes no processo de investigação das desigualdades: o reconhecimento da questão como um padrão de manifestação e o estudo da temática ao longo de três séculos de desigualdades em termos diferenciados. “Somente quando de fato reconhecidas é que se estabelecem medidas de enfrentamento”, expôs. “Vivemos vários padrões de desigualdade e entendemos que os instrumentos que temos hoje não são suficientes para uma efetiva solução”, complementou.

Segundo o economista, discutir diferenças até o final do século 19 era estar prisioneiro de dois princípios, que conduziam o sentido de desigualdade para um fenômeno da naturalidade. O princípio religioso, cujas diferenças entre os homens eram justificadas sob o ponto de vista divino. E, depois, o princípio científico de que havia uma incapacidade da economia de gerar produtos e bem estar a todos. A ideia, que tem como principal manifestador o estudioso Thomas Maltus, colocava o homem pobre como único e exclusivo culpado pela pobreza por procriarem além do limite. “A desigualdade era responsabilidade dos desiguais. Era, portanto, normal que a morte acontecesse pela fome”, afirmou.

O presidente do Ipea falou, especificamente, de uma sociedade agrária. Com a expectativa de vida não superior a 35 anos e com um estilo de vida bastante rudimentar, a mulher era vista como uma máquina de reprodução humana que teria, durante a vida, de 15 a 20 filhos. “A mulher fora de casa não existia. Desde que o ser humano saiu das árvores e passou a caminhar de forma bípede, a mulher tem a função de reprodutora e o homem, como era mais forte, da caça e da pesca”, disse. Na sociedade agrária, ainda, as pessoas trabalhavam exatamente no local de moradia, com possibilidade de expansão territorial baixa. Por conta disso, durante seus 35 anos de vida, teriam conhecido apenas cerca de 100 pessoas. O conhecimento, em suma, era passado de pai para filho. A sociedade, que era heterônoma, tinha suas crianças já no trabalho aos 5, 6 anos porque não havia escola, trabalhando por jornadas elevadas. Uma pessoa que começasse aos 5 anos e morresse aos 35 teria trabalhado 70% da vida. “O elemento de orientação laboral não é o relógio, mas a iluminação solar. A jornada ia de segunda a segunda. Viver era, fundamentalmente, trabalhar”, ressaltou.

Na sociedade urbano-industrial a expectativa já se aproxima aos 100 anos. O padrão se assenta no trabalho material e no esforço físico do ser humano. “Nesse momento, o homem perde a autonomia no ciclo do seu trabalho”, comentou. Nesse momento, segundo Pochmann, a família do século 20 torna-se diferente. As mulheres terão dois filhos e viverão 60 anos. O trabalho será para além daquele doméstico, tendendo a ser mais valorizadas. As famílias aparecem menores, no entanto, emerge uma crise de sociabilidade, na reprodução de valores. “Agora, o conhecimento deixará de ser transmitido pelos mais velhos, pois ele será padronizado. Haverá uma escala local de transmissão de valores comuns no interior dos espaços nacionais: a língua pátria, o hino”, destacou. De acordo com ele, nesse momento, o trabalho se torna difícil de ser executado desde cedo. As mães já não podem mais levar os filhos para o serviço, havendo, assim, uma distinção entre moradia e local de trabalho. “Os pais passam a chegar mais tarde em casa e a relação social recoloca-se como forma de desigualdade. Abandona-se a ideia das diferenças por justificações divinas e por fatores científicos”, observou. “Não há mais justificativas para a desigualdade”.

Rousseau mudou o discurso da desigualdade para o viés político e de responsabilidade do próprio homem, devido ao direito de apropriação de terra. Mas o homem também tem o poder de mudar sua história, como dizia Hegel. Na ocasião, o economista expôs as possibilidades de alteração dos padrões de desigualdade: pela revolução ou pelas reformas. “As reformas, diferentemente da revolução, visavam gerar condições menos desiguais de oportunidades e não modificar completamente”, salientou. “Os impostos, que oneram os ricos, deveriam ser utilizados para minimizar essas diferenças”. Na sociedade do século 21, a educação é colocada como o elemento básico para a possibilidade de concorrência e, a essa altura, pela primeira vez, torna-se possível a quem não tem posses, mas que cedeu uma parte do rendimento financeiro ao governo por meio do pagamento de tributos, ter direito a uma aposentadoria. O principal elemento de riqueza não é mais o material, passando a ser o imaterial, por meio da sociedade dos bens e serviços. “No Brasil, 70% dos empregos estão no setor terciário”, destacou.

De acordo com Pochmann, o trabalho imaterial pode ser realizado em qualquer lugar, não precisando, como na sociedade agrária, ser executado no local do trabalho. “Na sociedade de subsistência, precisava-se da terra. Na urbano-industrial, era preciso ter a fábrica. Agora, dorme-se com o trabalho, sonha-se com ele. A tecnologia está ligada ao homem de hoje, com as atividades laborais sendo realizadas nos locais para além dos ambientes de serviço”, contou. O economista chamou a atenção para o fato de que a educação, em certo momento, ser procurada somente até a juventude. Hoje, o conhecimento do século 21 segue com a pessoa ao longo da vida, não sendo mais estanque e utilitarista.

“Um engenheiro que passava seis anos na Universidade, saía do curso com o diploma e apto a desenvolver a atividade e depois não pegava mais num livro. Agora, as pessoas buscam cada vez mais se especializar para conquistar o seu espaço. Afinal, não há mais a certeza de emprego garantido”. Nesse momento, as pessoas executarão trabalho e estudo ao mesmo tempo e terão tão pouco tempo quanto as do período agrário tinham. “É humanamente impossível ter bons resultados”, opinou. “O que está em jogo é financiar a igualdade, quando os filhos dos ricos entram para o mercado de trabalho depois de várias especializações enquanto o filhos dos pobres precisam trabalhar imediatamente para se sustentar e ajudar a família”. E essa facilidade acontece porque, segundo Pochmann, a tendência será as pessoas terem somente um filho. “Já foi, inclusive, descoberto o espermatozóide de laboratório. As mulheres não precisarão sequer ter um pai para suas crianças”, afirmou.

“Como financiar o ingresso tardio ao mercado de trabalho?”, questionou, para responder em seguida: “Com a reformulação da tributação e da propriedade. Ele acrescentou que não há tempo livre para o lazer e o diálogo na sociedade contemporânea. As famílias, quando reunidas, ficam em silêncio em frente à televisão. “Conhecendo a realidade tal como se manifesta no Brasil é que poderemos transformá-la e, assim, reverter a constituição numa nova maioria política”, finalizou.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ciso discute transformações sociais nas áreas rurais brasileiras

Por Daniel França

As transformações sociais, políticas e econômicas pelas quais os contextos rurais brasileiros passaram nos últimos tempos é tema de um dos 30 grupos de trabalho do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste, que será realizado entre 8 e 11 de setembro na Universidade Federal Rural de Pernambuco e que marca os 60 anos da Fundação Joaquim Nabuco.

Coordenado pela professoras Maria de Nazareth Baudel Wanderley, da Universidade Federal de Pernambuco, e Marilda Aparecida de Menezes, da Universidade Federal de Campina Grande, o GT intitulado “Recomposições do rural: territórios e identidades” reúne trabalhos de pesquisadores de Brasília, Alagoas, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí. “A tradição dos grupos  que trabalham sobre temas rurais lembra que este é um espaço de um debate bastante aberto, sobre questões de grande atualidade, envolvendo um grande número de pesquisadores interessados. A própria montagem das sessões do GT revela a profundidade e a amplitude dos temas que pretendemos abordar”, revelam as pesquisadoras ao falar sobre a expectativa do grupo de trabalho. 
 
Nazareth explica que novos atores políticos surgiram e surgem no campo através de processos que resultam em lutas sociais por melhores condições de vida e que tais movimentos contribuíram na modificação e ou construção de novas identidades. “Não é mais possível referir-se hoje aos agricultores como categoria genérica e, sob muitos aspectos pejorativos, de produtores de baixa renda, como ocorreu nos anos 1970”. Afirmam suas identidades próprias: camponeses, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, comunidades quilombolas, indígenas, populações tradicionais e tantos outros”, diz ela.

Para Nazareth, as políticas públicas interferem diretamente nos contextos desses novos atores uma vez que elas favorecem a realocação de recursos de natureza produtiva, bens e serviços que interferem na qualidade de vida dos habitantes do campo “em benefício de uns ou de outros, ou criando as bases jurídicas para o  seu reconhecimento como sujeitos de direito”.

Cada grupo de trabalho do 14º Ciso terá três sessões de apresentação que estão marcadas para os dias 9,10 e 11 de setembro no horário das 13h30 às 16h30. As apresentações irão ocorrer no Centro de Ensino de Graduação (Cegoe) da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

As inscrições para o Ciso continuam abertas e podem ser feitas até 31 de agosto. Os valores de inscrição são de R$ 90,00 para estudantes de graduação; alunos de pós-graduação pagam R$ 120,00 e professores, pesquisadores e profissionais não-acadêmicos pagam R$ 200,00. Durante o evento, esses valores passarão para R$ 110,00; R$ 140,00; e R$ 220,00, respectivamente. Outras informações pelo telefone (81) 3073-6573 ou pelo site www.fundaj.gov.br/xivciso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

GT Esporte e Sociedade realiza encontro pré 14º Ciso

Um evento do GT “ESPORTE E SOCIEDADE” | Nesf - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Futebol (UFPE/Fundaj)


Dia 18 de agosto de 2009 – De 9 às 16h30
Fundação Joaquim Nabuco – Diretoria de Pesquisas Sociais
Sala Gilberto Osório – Rua Dois Irmãos, 92 – Apipucos – Recife/PE


No dia 18 de agosto, próxima terça-feira, pela manhã e à tarde, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Futebol (Nesf), criado e formado por professores e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS-UFPE) e da Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes-Fundaj), registrado no CNPq e autenticado pela UFPE, promoverá um dia de trabalho científico preparatório para o XIV Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (XIV Ciso), que ocorrerá em setembro próximo no Recife.

Na ocasião, os pesquisadores e bolsistas do Nesf, que tiveram trabalhos aprovados para apresentação no XIV Ciso, farão exposições e debaterão os respectivos textos. Além disso, no encerramento, haverá o pré-lançamento da revista Estudos de Sociologia, Vol.14, Nº2, julho/dezembro 2008, que traz um longo Dossiê sobre Sociologia do Futebol, organizado pelos coordenadores do Nesf-UFPE/Fundaj, com artigos de pesquisadores inglês, argentinos e brasileiros, dentre eles pesquisadores do próprio Nesf. O pré-lançamento deverá contar ainda com a presença do editor da revista Jonatas Ferreira (PPGS-UFPE) e do ex-jogador de futebol Ramon (Sta. Cruz), que teve um depoimento seu ali publicado (a confirmar, ambos).


GT: ESPORTE E SOCIEDADE
XIV Encontro das Ciências Sociais do Norte e Nordeste (XIV Ciso)


Coordenadores Jorge Ventura de Morais (UFPE), Francisco Xavier Freire Rodrigues (UFMT) e Rosângela Duarte Pimenta (UFPB)

Resumo O fenômeno esportivo assume na sociedade contemporânea um espaço crescente, tanto na forma de práticas sociais cotidianas, sejam elas lúdicas ou competitivas, como em ações governamentais, em especial através de políticas públicas visando à inclusão social. Já a importância dos estudos acadêmicos sobre o tema deve-se, sobretudo, à sua natureza multidimensional (social, política, econômica, cultural, simbólica). Nesse sentido, relevantes cientistas sociais, como Pierre Bourdieu e Norbert Elias, referem-se ao esporte como fato social relacionado à vida dos indivíduos e como construtor de práticas. Nos últimos anos, o estudo do esporte nas ciências sociais brasileiras tem se ampliado, o que se traduz no crescente número de pesquisas e na institucionalização de disciplinas em torno da temática nas pós-graduações. Assim sendo, este GT tem como objetivo geral debater pesquisas desenvolvidas em programas e centro de pesquisas no Norte e Nordeste que tratam de aspectos sociais, culturais e políticos do esporte brasileiro.


PRÉ-CISO GT “ESPORTE E SOCIEDADE”
Dia 18 de agosto de 2009 – Das 9 às 16h30
Fundação Joaquim Nabuco – Diretoria de Pesquisas Sociais
Sala Gilberto Osório – Rua Dois Irmãos, 92 – Apipucos – Recife/PE



PROGRAMAÇÃO

Coordenação-Geral
Túlio Velho Barreto (vice-coordenador/Nesf; pesquisador/Fundaj)

MANHÃ (9h-12 horas)

Abertura:

Convidados: Morvan Moreira (Diretor da Dipes); Isolda Belo (Coordenadora-Geral da CGES-Dipes) e Joanildo Burity (Coordenador-Geral do XIV Ciso) e Túlio Velho Barreto (Vice-coordenador do Nesf; pesquisador da CGES-Dipes)

1ª Sessão:

1. “Do ‘espírito’ das leis do jogo: os princípios das regras do futebol à luz de uma abordagem sociológica do esporte” – Leonardo José de Lima (pesquisador/Nesf)

2. “A formação de jogadores e o aprendizado das regras do futebol: aproximações sócio-antropológicas” – Altiere Dias de Freitas e Glauber Lemos (graduando/UFPE; bolsistas/Nesf)

3. “‘Desanglicização’”: a invenção do mulato eugênico” – Tiago Maranhão (Professor/Faculdade Integrada do Recife; pesquisador/Nesf)

4. “Esporte e Sociedade: a formação educacional do atleta de base do futebol profissional” – Francisco Xavier dos Santos (mestrando em Educação/UFPE)


TARDE (13h30-16h00)

2ª Sessão:

1. “A ‘pelada’ e o jogo das regras na cidade e no sertão” – Rosangela Duarte Pimenta (Professora/UFPB; pesquisadora/Nesf)

2. "Os significados do futebol amador em Recife” – Joanna Lessa (doutoranda em Sociologia/UFPE; pesquisadora/Nesf)

3. “Ciência, tecnologia e futebol: o papel sociológico dos atores-rede na produção da dinâmica futebolística” – Denilson Marques (professor/UFPE; pesquisador/Nesf)

4. “Os agenciamentos dos atores-rede e sua interferência na dinâmica dos clubes de futebol em Pernambuco” – Acassia Souza Silva e Maíra Neves Ferraz (graduandas/UFPE; bolsistas/Nesf)


Encerramento:

Pré-lançamento da revista Estudos de Sociologia, Vol. 14, Nº 2, julho/dezembro 2008, com o Dossiê sobre Sociologia do Futebol, organizado pelo Nesf-UFPE/Fundaj, com artigos de pesquisadores inglês, argentinos e brasileiros, dentre eles os coordenadores do próprio Nesf.