sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Crise global e seus impactos foram discutidos no 14º Ciso

Por André Amorim

O último dia do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (14º Ciso) discutiu, num das mesas redondas, “O impacto da crise global nos países periféricos”. O encontro aconteceu das 9h às 10h30, no auditório do Centro de Ensino e Graduação (Cegoe) da UFRPE.

A coordenação da mesa ficou sob a responsabilidade do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e também consultor econômico, Jorge Jatobá. A colaboração ficou a cargo do professor da Universidade de São Paulo (USP), Alexandre Barbosa, do professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Amilton Moretto, e do professor da Faculdade Boa Viagem (FBV), Olímpio Galvão.

Primeiro a expor suas ideias sobre o assunto, o professor Amilton falou sobre a origem da crise e os efeitos no mercado de trabalho do mundo e do Brasil. Segundo o professor, a crise financeira global teve início em meados de 2007 no mercado de hipotecas subprime (dividas assumidas na compra de um imóvel) nos Estados Unidos. No entanto, para o mundo, a crise ficou evidente com a quebra das instituições financeiras, em setembro de 2008, nos Estados Unidos e na Europa.

O impacto da crise nos países, segundo Amilton, está relacionado ao nível de abertura do fluxo de capital, ou seja, do controle de entrada e saída de capital estrangeiro dos países. Resultado imediato da crise, o enxugamento do crédito no Brasil atingiu diretamente o setor produtivo e, consequentemente, o Produto Interno Bruto (PIB).

Os níveis de desemprego também foram tratados pelo professor. Grande vilão na década de 1990, os níveis de desemprego estavam apresentando, desde o ano 2000, taxas cada vez menores nesse indicador. No entanto, com a queda na produção industrial, o desemprego voltou a apresentar taxas altas. Para esse ano, Amilton ainda acredita numa recuperação tanto no nível de desemprego como no da produção industrial.

O professor da USP, Alexandre Barbosa, explicou a situação do capitalismo global, (expressão que considera redundante pois o capitalismo por si já seria global), algumas características que aproximam e separam os países do BRICS (Brasil, Rússia, índia e China) e também sobre o caso da China, país que se destaca dentro do atual contexto econômico.

O professor da FBV, Olímpio Galvão, falou sobre a situação do pós-crise mundial. Além de refletir sobre o processo de recuperação do pós-crise, o professor falou sobre os impactos positivos e negativos da globalização e as implicações do que está acontecendo para as gerações futuras. Para o professor, a forma como a reestruturação vem sendo conduzida pode deixar marcas fortes nas sociedades futuras.

Ciência Política no Nordeste é debatido no Ciso

Foi realizado no auditório de Engenharia de Pesca da UFRPE, durante a última manhã do 14º Ciso, a mesa redonda “A Ciência Política no Nordeste: situação atual e perspectivas”. O evento foi coordenado pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Antônio Sérgio Araújo Fernandes e contou com a colaboração do também professor da UFRN, André Borges, do professor da UFPE, Ernani Carvalho, e da professora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Gabriela da Silva Tarouco.

Informalidade e novas configurações do mercado de trabalho é tema de debate no 14º Ciso

Por Victor Bastos

A mesa redonda “Informalidade e novas configurações do mercado de trabalho” marcou o último dia do 14º Ciso. O debate ocorreu na manhã desta sexta-feira (11), das 9h às 10h30, no Auditório da reitoria da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Coordenou a mesa redonda a professora da Unicamp, Ângela Maria Carneiro Araújo, com a colaboração dos professores Ivan Targino Moreira (UFPB), Roberto Veras (UFCG) e da professora Magda de Almeida Neves (PUC-MG).

Ângela Araújo abriu a mesa redonda destacando o crescimento do trabalho informal nos últimos dois anos. Ela ressaltou a dificuldade de se distinguir o trabalho informal do formal. Os colaboradores desenvolveram o raciocínio em três pontos diferentes. O professor Ivan Targino enfatizou o lado econômico da informalidade e a professora Magda de Almeida trabalhou as questões empíricas do trabalho informal. Já o professor Roberto Veras fez uma reflexão teórica do conceito de informal, ou seja, o lado sociológico do tema.

Segundo os participantes da mesa redonda, é considerado trabalhador informal os empregados sem carteira de trabalho assinada, as trabalhadoras domésticas sem carteira de trabalho assinada, os trabalhadores autônomos e os que atuam em atividades de subsistência.

Professor da Universidade Federal da Paraíba, Ivan Moreira destacou as tendências do mercado de trabalho informal no Brasil, em especial a situação do Nordeste. Segundo ele, a desigualdade é preocupante. “Na região nordestina é maior a gravidade da informalidade. Para se ter uma ideia, o índice é 12% maior que o referente ao Brasil”, explicou o professor.

O tema “Para onde caminha a metodologia das ciências sociais?” foi debatido, paralelamente, na Sala de Seminários do Centro de Ensino de Graduação (Cegoe). A mesa redonda teve a coordenação do professor da Universidade Federal de Pernambuco, Remo Mutzenberg, com a colaboração do professor Adrian Scribano (UBA), da professora Maria da Conceição de Almeida (UFRN) e do representante da IUPERJ, Gláucio Ary Dillon Soares.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Grupo de trabalho discute as ações de políticas públicas

Por Diego Ximenes

Na tarde desta quinta-feira (10) foi realizado por um dos grupos de trabalho um debate sobre as políticas públicas e o Governo de diversas cidades do Nordeste, evento que faz parte do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso).

Participaram do evento a professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN),Márcia da Silva Pereira, que discutiu a Implementação da Política Nacional de Assistência Social no Município de Mossoró, e o estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Demetrius Ferreira, que abordou as Políticas Publicas de Esgotamento Sanitário no Nordeste Brasileiro. A mestranda em Gestão Política da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), Roberta Medeiros Ferreira, falou sobre a atuação do Estado na Promoção de Politicas Públicas de Juventude.

O foco do debate foram as mudanças no setor público brasileiro, passando por programas políticos aplicados na região Nordeste até os projetos sociais realizados em beneficio da juventude. A professora Márcia Pereira agradeceu a oportunidade de exibir seu trabalho de pesquisa no Ciso, já que a cidade de Mossoró tem grandes projetos para a área social. “Fiquei feliz em ter meu espaço neste encontro, o assunto sempre está em pauta, não vai ficar velho tão rápido. E a cidade de Mossoró dá muita atenção ao lado assistencial. Tive o prazer de abordar todo o trabalho desempenhado lá, com certeza é o pontapé para a solução de outros problemas de ordem política”.

Minicurso do 14º Ciso aborda os Nordestes de Nabuco, Freyre e Furtado

Por Diego Ximenes

As bibliografias e a apresentação de três grandes trabalhos a favor do desenvolvimento do Nordeste. Essa foi à temática abordada no minicurso “Os Nordestes de Nabuco, Freyre e Furtado”, evento que faz parte do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso).

No encontro, o professor de Ciências Sociais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB ), José Henrique Artigas, procurou enfatizar a história dos três grandes ícones nordestinos, Joaquim Nabuco, Gilberto Freire e Celso Furtado, e caracterizar a forma política como a região era caracterizada. “Eles possuíam uma visão completa do que o nordeste representou para o Brasil e tinham pensamentos bem interessantes,sobre o que pode ser feito em relação a sociedade, são alguns destas ideias que pretendo trabalhar neste minicurso”

O evento, que continua nesta sexta-feira(11) pretende rever as diferenças sociais na região e o abismo que divide as classes sociais. O minicurso está agradando aos alunos inscritos. Muitos são de outros estados, como Rigel Marinho Pimenta, que é estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal da Paraíba. “ A aula vem com uma ótima abordagem, todo o assunto está sendo muito bem trabalhado, estou saindo daqui com uma boa experiência na bagagem.”

Mostra fotográfica do 14º Ciso destaca cultura popular, vida urbana e antropologia

Por Tiago Cisneiros

Além de fóruns, grupos de trabalho e minicursos, o 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso) promove uma exposição de ensaios fotográficos no primeiro andar do Centro de Graduação de Ensino (Cegoe) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). As imagens, registradas em Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Rondônia e Rio de Janeiro, inspiram-se em perspectivas sociológicas e antropológicas para retratar o cotidiano e a cultura popular.

As festividades do São João em Sergipe são o assunto de dois ensaios da mostra. “Dos bastidores ao espetáculo: performances culturais das quadrilhas juninas de Aracaju”, de Priscila Santos Silva (Universidade Federal de Sergipe – UFS), apresenta as quadrilhas como um “espaço para a criação de uma grande rede de comunicação e sociabilidade”. Já o trabalho “Gente que brilha: performances culturais das quadrilhas juninas de Sergipe”, de Eufrázia Cristina Santos, Priscila Santos Silva e Vanessa Barreto Garcez (todas da UFS), evidencia os “aspectos simbólicos, expressivos, comunicativos e estéticos da manifestação ritual”, com base nos estudos da performance e na perspectiva antropológica.

Também da Universidade Federal de Sergipe vem o ensaio “Apresentação de um circuito: as manifestações do choro na cidade de Aracaju”, de Daniela Moura Bezerra. O trabalho traz imagens das rodas de choro na cidade e na periferia da capital sergipana.

“Oferenda”, de Diego Madih Dias e Thiago Carminati, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, expõe cenas de manifestações da umbanda – notadamente, as oferendas e despachos típicos da religião. O ensaio “Iirsa e a beira do Madeira”, de Karine Narahara e André Luiz Souza (UFRJ), trata dos impactos socioeconômicos e ambientais dos projetos da Iniciativa pela Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana sobre a região do rio Madeira, no Norte do país. As fotos exemplificam os “processos de desorganização e reorganização dos territórios, a partir da implementação das hidrelétricas e da hidrovia do Madeira”.

O projeto “Nos salões”, de Elane Abreu (Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Ceará), retrata a realidade física e humana das barbearias nordestinas. “Calçadas”, de Pedro de Souza Lima Neto (Universidade Católica de Pernambuco), abordam o espaço como a representação política da “esquerda” no urbanismo, o “refúgio dos pedestres” e uma área reservada “fora do ambiente hostil de opressores automóveis, dotados de pressão inata” e do autoritarismo da buzina. As crianças do Sítio Guarany, no município de Olho D’água das Flores, são os personagens do ensaio “Olhar-dela”, de Kelly Baeta (Universidade Federal de Alagoas). A produção apresenta os rostos infantis como a herança do quilombo que existiu na região.

Cinema

Nesta quinta-feira, estão sendo exibidos os filmes “Nem te conto”, “Quem rege a vela?” e “Cinema de Quebrada”, produzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade de São Paulo. Amanhã, é a vez do longa-metragem “Terra de memórias: os velhos do Sisal – saberes do cotidiano”, produzido por professores da Universidade Federal de Sergipe e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As sessões são realizadas na sala de audiovisual do Cegoe, das 16h30 às 18h30.

Pesquisa revela que estudantes cotistas ainda esperam investimentos na educação básica

Por Tiago Cisneiros

O Grupo de Trabalho “Ações afirmativas e processos de construção de identidades no mundo globalizado” do 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso) contou com a apresentação da pesquisa “Política de inclusão social da Universidade de Pernambuco: sob o olhar dos alunos cotistas” nesta quinta-feira (10) à tarde. O estudo foi desenvolvido pelas pesquisadoras da UPE Maria Bernadete Leal Campos, Bruno de Oliveira Jardim Pedrosa e Mayara de Alencar.

Com o objetivo de identificar o perfil socioeconômico e o nível de satisfação com a universidade e o curso, os pesquisadores entrevistaram 71 alunos cotistas da graduação em Medicina – 43 do segundo período e 28 do sétimo período. De acordo com o trabalho, apesar de ingressarem com notas mais baixas do que os aprovados no vestibular universal, os universitários cotistas não sofrem discriminação dos colegas. Além disso, não enfrentam dificuldades extraordinárias no desempenho escolar. “A questão de ter maior ou menor facilidade é uma coisa que existe para todos. Não percebemos problemas específicos entre os cotistas para acompanhar os conteúdos ou se relacionar com professores e funcionários”, esclareceu Maria Bernadete.

A facilidade para ingressar na universidade, no entanto, não é suficiente para que os estudantes concluam os cursos escolhidos. Segundo Maria Bernadete e Mayara de Alencar, os cotistas enfrentam muitas dificuldades financeiras nos campos de transporte, refeição e material didático. “Eles não têm dinheiro para pagar o ônibus, o lanche, os livros e as cópias. É comum ver os alunos em frente à biblioteca, esperando o horário de abertura, apenas para pegar as obras emprestadas, sem custo.”

Embora aprovem a reserva de 20% das vagas do vestibular, os alunos acreditam que o sistema de cotas é uma medida paliativa. “Eles dizem que o mais importante é o investimento na educação básica, para permitir, em alguns anos, o acesso de todos à educação superior”, explicou Maria Bernadete.

As estatísticas da pesquisa apontam que, no segundo período, 30,2% dos estudantes recebem um salário mínimo por mês, e 48,8%, entre dois e quatro salários mínimos. No sétimo período, a média de dois a quatro salários compreende 78,8% dos alunos. Outros 14,3% chegam a receber entre cinco e sete salários. Para as pesquisadoras, o crescimento financeiro pode ser atribuído ao fato de que os universitários veteranos precisam buscar empregos para participar da renda familiar.

O primeiro projeto profissional dos estudantes, também, varia conforme o andamento do curso. No segundo período, as principais intenções dos alunos são realizar outra graduação e dar continuidade aos estudos; no sétimo, destaca-se o interesse em participar de concursos. Ambos, entretanto, revelam um índice semelhante quando a ideia é “ingressar imediatamente no mercado de trabalho” – cerca de 25% dos entrevistados.

Pesquisa aborda os resultados do financiamento público nas eleições

Por Tiago Cisneiros

Em meio às discussões sobre a reforma política no Brasil, o 14º Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (Ciso) apresentou, nesta quinta-feira (9), uma pesquisa sobre o financiamento público de campanhas eleitorais e a situação da democracia no país. O trabalho integrou a programação da sessão “Democracia e participação no Brasil contemporâneo”, do Grupo de Trabalho 12, intitulado “Democracia e teoria democrática na América Latina contemporânea”.

O estudo “Democracia e o financiamento público de campanhas eleitorais”, desenvolvido pelo professor Homero de Oliveira Costa, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, reúne observações e análises sobre os processos de eleição realizados entre os anos 2000 e 2008. “O financiamento e a interferência do poder econômico têm sido temas muito importantes, desde o impeachment de Collor até a recente Operação Castelo de Areia, passando pelos ‘anões do orçamento’ e o ‘mensalão’”, afirmou.

De acordo com Homero, a Operação Castelo de Areia revelou o envolvimento da empreiteira Camargo Corrêa no sistema de financiamento de campanhas eleitorais. O montante enviado a candidatos e partidos de todo o Brasil está compreendido entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões. Em 2008, a empresa foi a segunda maior instituição doadora no país (R$ 5,8 milhões). Para o pesquisador, esse tipo de vínculo tem se mostrado prejudicial à democracia nacional. “A empresa que gera muita verba para os políticos passam a controlar o seu desempenho. A Camargo Corrêa, por exemplo, faturou R$ 6,2 bilhões em 2002, e eu desconfio que esse número seja ainda maior durante o governo Lula.”

A pesquisa apontou, ainda, que a fonte de financiamento varia conforme o grau político dos candidatos. As campanhas dos vereadores fundamentam-se nas doações de pessoas físicas; as dos deputados e governadores, de empreiteiras; e as dos senadores, de bancos.

As campanhas eleitorais brasileiras, segundo o professor, caracterizam-se pelo alto custo, com o financiamento oriundo de um pequeno grupo de empresas. “A eleição de Lula baseou-se na ação de 1319 doadores. Já a de Barack Obama, nos Estados Unidos, seguiu a legislação do país, que não limita o valor das doações. Lá, a verba foi enviada por três milhões e meio de pessoas e instituições.”, comparou.

“Se, nas eleições – símbolo da democracia -, um partido ou candidato recebe muito mais do que outro, surge, aí, uma condição de extrema desigualdade”, declarou Homero Costa, que aponta a questão do financiamento privado como um elemento prejudicial para os próprios políticos. “A corrupção é um fator muito importante na visão da sociedade sobre os partidos, e essa análise, também, está vinculada ao tema dos financiamentos de campanha.”